TRADIÇÃO E LEGADO MILENAR

Do Mosteiro de Shaolin ao Coração de Pinheiros

Quem somos

Fundada em 1973, a Academia Sino-Brasileira de Kung Fu permaneceu em plena atividade durante muitos anos na Rua Vitorino Carmilo, na Barra Funda. 

Hoje a matriz da Academia Sino-Brasileira de Kung Fu está localizada num dos pontos nobres da cidade de São Paulo, no coração de Pinheiros, repleto de meios de acesso como metrô e ônibus. 

Localizada na rua João Moura, próximo a avenida Rebouças, a Academia Sino-Brasileira de Kung Fu oferece uma ampla infra-estrutura para a prática e aprendizado da arte marcial chinesa tradicional; dois salões cobertos, vestiários e banheiros, e todo o equipamento necessário. 

O Kung Fu pode ser aprendido por pessoas de todas as idades, sendo que a idade mínima ideal é de nove anos, quando a criança já possui coordenação motora bem desenvolvida. 

O aprendizado é feito de forma gradual e de acordo com a capacidade e esforço do aluno.

O treino é formado de exercícios de aquecimento, chutes, socos, ataque e defesa e formas (katis) de mãos-livres e armas.

A linha principal da Academia Sino-Brasileira de Kung Fu é composta pelos estilos Shaolin Norte e Choy Li Fat.

Grão-mestre Chan Kowk Wai também ensina outros estilos como : Tam Tui, Tcha Chuan, Luo Hap, Garra de Águia, Louva-deus, Tai Chi Chuan, Hsin I, Pa Ki e Pa Kua. O aluno aprende conforme o seu interesse, capacidade e dedicação, buscando o mais pleno desenvolvimento de seu potencial. 

O treino de Kung Fu visa o bem estar do aluno e não cansaço e dores musculares.

O desenvolvimento da arte marcial na China

A partir do período dos “Estados Guerreiros”, a necessidade de aperfeiçoar e desenvolver técnicas marciais variadas tornou-se elemento importante para o sucesso de qualquer nação.

Na dinastia Qin (221 a 206 a.c.), conhecida pelo famoso imperador Qinshi Huangdi e sua tumba com os soldados de terracota, próxima a cidade de X’ian , os tempos eram de paz. Na realidade houve pouco desenvolvimento em termos de aparatos bélicos mas Qinshi Huangdi deixou duas importantes contribuições : era ávido colecionador de espadas e isso permitiu a pesquisa na fabricação de espadas com formatos e materiais diferentes, e incentivou a prática do combate corporal, então conhecido como Jiaodi .

Deste ponto em diante, os imperadores perceberam a importância no desenvolvimento e pesquisa com fins bélicos. Haviam muitos torneios de combate com armas e mãos-livres, tanto como entretenimento para a corte como prova de seleção para oficiais das forças armadas.

Em face a necessidade de utilizar estas técnicas em seus exércitos e forças militares, diversos nobres e generais iniciaram um trabalho de codificação, escrevendo tratados sobre as suas técnicas marciais de mãos-livres e de armas.

O mosteiro de Shaolin e suas influências

Erguido em 495 d.c. no meio de uma floresta no sopé da montanha Song, o mosteiro de Shao Lin está geograficamente localizado entre as cidades de Zhengzhou e Luoyang (antiga capital do Império Chinês até o século 10), na província de Henan.

A mando do Emperador Xiao Wen (reinado de 471 a 500 d.c.) da dinastia Wei, forte patrocinador do budismo na China, o mosteiro de Shao Lin fora construído para se tornar o maior centro de estudo, tradução e difusão do Budismo da época, e o primeiro abade do mosteiro foi o monge indiano Bahdra (Batuo).

Em 525 d.c. o monge Damo (Bodhidharma) chegou até o mosteiro e lá ficou por vários anos. Muitos afirmam que Damo foi o responsável pela criação e desenvolvimento das artes marciais dentro do mosteiro de Shao Lin, mas infelizmente não existe nenhuma evidência concreta até mesmo que Damo tenha existido.

Damo foi o vigésimo oitavo patriarca do budismo Mahayana e trouxe para o mosteiro os seus ensinamento, mais tarde tornando-se o primeiro patriarca do budismo Chan (Zen). Junto com os seus ensinamentos Damo deixou alguns exercícios para melhorar a saúde dos monges, como o Yi Jin Jing (Tratado da Renovação dos Tecidos e Tendões) e o Xi Sui Jing (Tratado da Medula).

Então quem seria o responsável pela criação ou desenvolvimento das artes marciais de Shao Lin ? Sabemos que muitos militares e nobres perseguidos refugiavam-se em locais distantes, e o mosteiro de Shao Lin foi um deles. Com as constantes visitas de estrangeiros, sejam foragidos, convidados e alguns até mesmo em busca da iluminação oferecida pelo budismo, os monges de Shao Lin puderam aprender, estudar, compilar e aprimorar quaisquer estilos de arte marcial com que tivessem contato. A partir deste momento começou a ser formada a arte marcial do mosteiro de Shao Lin.

Dividido em salas, ou câmaras, os estilos não eram ensinados a todos os monges, mas sim a pequenos grupos e para cada sala havia um monge responsável. O mosteiro de Shao Lin contou com 18 salas principais, e cada uma com um estilo distinto. Uma destas salas era reservada ao estilo “As dez rotinas de Shaolin”, a base do Shaolin Norte.

O ensino das artes marciais de Shao Lin era reservado única e exclusivamente para os monges, mas em 1650 os monges resolveram aceitar discípulos-leigos só para o aprendizado marcial, porque o mosteiro havia sofrido já havia sofrido um ataque, colocando em risco os monges e suas técnicas marciais.

Destruído quase que totalmente em 1736 e em um novo ataque em 1928 onde restaram duas edificações e parte do cemitério, o mosteiro de Shao Lin foi mais uma vítima da sua participação em guerras internas da China, deixando apenas um punhado de monges sobreviventes. Alguns dos estilos que foram ensinados para leigos ou levados para fora de Shaolin por monges fugidos existem até hoje.

Houveram outros mosteiros que estiveram relacionados de alguma forma com as artes marciais, mas a despeito do que muitos afirmam, o mosteiro de Shao Lin nunca possuiu filiais ou relações diretas com outros mosteiros, mesmo com o de Fujian.

A virada do século XIX

Por volta de 1860 Beijing havia se tornado um grande centro de intercâmbio entre praticantes de artes marciais e muitas escolas famosas foram estabelecidas; a capital abrigava o governo e por isso havia uma grande demanda e necessidade de praticantes e lutadores experientes para servir os exércitos.

Por este motivo, praticantes de estilos internos como Taiji, Bagua e Xingyi trocavam informações constantemente, o que deu origem a expressão “estilos de Wudang”, também conhecidos como os estilos internos. Alguns expoentes foram Cheng Tingua e Yinfu, ambos peritos em Bagua. Yinfu foi guarda pessoal da imperatriz.

Também durante a metade do século XIX foi quando o ocidente tomou conhecimento pela primeira vez das artes marciais chinesas, quando os europeus passaram a travar relações comerciais com a China. Neste momento, a China já havia caído em profundo desequilíbrio interno, diante das pressões dos estrangeiros e problemas com o seu sistema burocrático falido. O governo era comandado pela imperatriz Cixi e seus ministros.

Os estrangeiros (russos, alemães, ingleses, austríacos entre outros) repartiram toda a China em territórios comerciais regidos por adidos e diplomatas, tomando conta aos poucos de todo o país. A própria imperatriz incentivou algumas sociedades secretas ligadas à prática de artes marciais a fazerem um levante contra os estrangeiros, chamado de “A rebelião dos boxers”.

Os “boxers” passaram a varrer toda a China matando estrangeiros e qualquer um que fosse a favor da ocupação estrangeira. Mas os estrangeiros detinham um poder bélico maior; as armas de fogo. Com rifles e canhões os “boxers” foram dizimados como moscas, sem que o governo nada fizesse. Muitos mestres de renome foram assassinados por conta da rebelião.

No início do século XX o governo passou a incentivar e promover a prática de artes marciais a todos através de centros de treinamento (clubes atléticos) com o objetivo de levantar a moral do povo chinês e o primeiro e talvez mais famoso tenha sido o Jingwu Tiyu Hui (Centro Atlético Espírito-marcial), fundado em 1909 por Huo Yuanjia em Shanghai.

O apoio da “Nova República”

Um período ainda conturbado, com a transferência do governo de Pu Yi para Yuan Shikai e depois para Sun Yatsen, com o surgimento da Nova República em 1911, o governo aumentou o incentivo à prática das artes marciais para desfazer o conceito de que os chineses eram “os homens fracos da Ásia”.

Assim surgiram novos centros de treinamento por toda a China, cada qual reunindo mestres famosos e estabelecendo grades curriculares para o ensino de diversos estilos.

Depois da Jingwu, o centro mais famoso já criado fora a Nanjing Guoshu Zhong Di (Academia Central de Artes marciais de Nanjing). O governo nomeou mestres como Li Jinlin (general, espadachim e mestre de estilos como Baji e Taiji) para supervisionar diversas filiais em toda a China.

Existem muitos relatos de demonstrações, apresentações e lutas amistosas entre os chineses e lutadores europeus neste período.

O panorama atual das artes marciais

As artes marciais chinesas tomaram proporções gigantescas nos dias de hoje, sendo praticadas quase que em todos os continentes, seja com fins marciais, desportivos ou terapêuticos.

No aspecto desportivo, as arte marciais encontram-se extremamente organizadas ao nível internacional, contando com federações que organizam eventos nacionais, panamericanos e mundiais, e futuramente olímpicos, quando em 2002 o Wushu foi aceito como modalidade olímpica pelo COI. O próprio Brasil se encontra entre os primeiros dez países com atletas de formas e combates em eventos mundiais.

No aspecto terapêutico, as artes marciais chinesas vêm recebendo uma grande aceitação por parte da comunidade médica como terapia de apoio e meio de melhoria da qualidade de vida e redução do sedentarismo para indivíduos de todas as idades. A gama de estilos permite uma ampla escolha por parte do praticante sem comprometer futuramente as suas condições de saúde.

República Popular da China

Depois da fundação da República Popular, o governo continuou a promover a prática e o desenvolvimento das artes marciais mas de uma forma diferente. Diante das pressões políticas, muitos mestres emigraram para Taiwan, Hong Kong e outros países, levando consigo sua bagagem marcial.

Depois de tantas destruições e incêndios, em 1949 o governo da República Popular da China tombou o mosteiro de Shao Lin como patrimônio cultural chinês e iniciou um longo processo de recuperação e reconstrução das edificações; praticamente tudo fora destruído ao longo dos anos.

As artes marciais chinesas foram gradualmente conquistando espaço no ocidente através de filmes de ação vindos de Hong Kong, onde todos os atores lutavam kung fu. Aqueles mestres e professores que fugiram da Revolução Cultural para países como Brasil, Canadá e Estados Unidos começaram a ensinar os seus estilos para os ocidentais, ajudando a tornar o kung fu conhecido a todos.

Aproveitando esta oportunidade, o governo chinês tomou uma medida drástica para recuperar a sua herança marcial; codificou a arte marcial chinesa através da criação de um sistema homogêneo de técnicas padronizadas que pudesse ser ensinado a qualquer pessoa, sempre da mesma forma, em qualquer lugar do mundo e a chamou de Wushu moderno. O governo reconstruiu praticamente todo o mosteiro de Shao Lin, recrutou novos monges e os ensinou as novas rotinas de Wushu, estimulando a criação de muitas escolas e academias ao redor do mosteiro. Foram construídos um hotel e centro de treino próximos para estrangeiros interessados em aprender diretamente com os monges.

Infelizmente o mosteiro hoje é um centro de peregrinação turística, já que muitas das formas originais como Os Dez Caminhos de Shaolin não são mais ensinados no templo; todos aqueles que conseguiram escapar da Revolução Cultural imigraram para outros países. A arte marcial praticada no mosteiro nos dias de hoje é uma reunião de estilos remanescentes. Os monges dividem o seu tempo entre os afazeres diários, treino, reza e meditação, e por fim, guias turísticos.

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